
Liderar a si mesmo é o princípio para uma liderança segura e comprometida.
Há alguns anos quando decidi empreender no mundo jurídico sabia que teria desafios e precisaria estar pronta para ser uma líder de mim. Entender quem eu sou, como lidava com as emoções e desenvolver a liderança interior.
Nesse âmbito e, estando sempre atenta a meus clientes, vi que apenas a formação no Direito não me daria as ferramentas para entender o que estava por trás de cada caso que chegava até o escritório.
Era e ainda é o exercício de lembrar que cada cliente é um ser humano. Um ser cheio de dores e amores, independente da classe social, sexo, religião e diversos outros parâmetros que usamos para definir quem somos nesse mundo.
De tudo isso veio a volta aos estudos e mergulhei na Psicanálise. Para mim, a melhor forma de entender nossas atitudes, pensamentos e palavras.
Desse conhecimento e análises veem insights valiosos sobre a compreensão da mente humana e uma ferramenta poderosa para atender e entender meus clientes e, principalmente, ser líder da própria vida de maneira consciente e eficaz.
Avaliando tudo isso, após muitas reflexões, relaciono aqui 5 pontos cruciais do desenvolvimento da liderança e a influência da psicanálise na minha visão como advogada e ser humano.
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Autoconhecimento: a base do líder
Antes de liderar os outros, é essencial liderar a si mesmo. A psicanálise destaca a importância do autoconhecimento, explorando as camadas mais profundas da mente.
Do mesmo modo, compreender nossos impulsos, medos e desejos, alimenta o desenvolvimento de uma base sólida para o autodomínio.
O líder de si mesmo reconhece suas fraquezas e trabalha ativamente para transformá-las em pontos fortes.
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Gestão das emoções
Não há dúvidas de que o inconsciente se reflete em ações repetitivas, incluindo as emoções. Estudos de Sigmund Freud apontam que lembranças felizes ou traumáticas continuam ativas e ressurgem em algumas ocasiões.
Daí, a importância de saber e compreender as origens de sentimentos negativos e podemos adotar uma abordagem proativa – ação de liderança – para lidar com eles.
Isso fortalece a resiliência emocional e contribui para um ambiente mais positivo ao redor.
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Autenticidade
A psicanálise enfatiza a importância da autenticidade na busca da liderança. Bem sei que isso exige muita análise.
Vejo como exemplo quando dizemos sim há algumas atitudes que mereciam e deveriam ter como resposta um sonoro não.
Ao ser verdadeiro consigo mesmo, um líder de si inspira confiança, respeito e naturalmente se sente melhor.
É, evidente, que isso implica em aceitar nossas próprias idiossincrasias, ou seja, nossos comportamentos, temperamento e viver em congruência com nossos valores mais profundos.
Como um ser humano e conhecedora de minhas emoções e reações, descobri que a música e a prática de esportes são ferramentas da minha autodisciplina. É o cuidado com a saúde física e mental. Corpo são em mente sã!
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Controle da vida
Ao desenvolver a liderança assumimos responsabilidades, o que cabe a todo adulto consciente. E a partir daí e com constância podemos ter o crescimento pessoal e profissional.
Isso envolve abandonar a mentalidade de vítima e assumir o controle ativo de sua vida. Nada de choramingar pelos cantos, colocando a culpa no outro.
Não estou dizendo que não seremos vítimas, pois isso acontece. Estou dizendo que devemos nos conhecer e ter o controle dessa consciência latente.
Antes de sair dizendo SIM para tudo e todos, pare. Você não é obrigado/obrigada a dar respostas de tudo na hora. É a reflexão e de novo o autoconhecimento que ditará como vamos responder as perguntas e desafios diários.
Ao fazer escolhas conscientes, desenvolvemos a capacidade de direcionar nossa jornada com propósito.
Como líder também acredito que é possível moldar meu destino até determinado ponto. Devemos e podemos controlar a vida, mas há fatos que não tem controle, como a morte.
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Conexão Humana
A psicanálise destaca a influência dos relacionamentos na formação da personalidade. Como líder de um grupo formado por empresários de sucesso, convivo semanalmente com diferentes personalidades. Isso exige de mim, uma preparação e cuidados com meu emocional.
É certo que em alguns momentos posso me sentir exaurida, sem energia, pois investi em ações necessárias e em dado momento não estou pronta para respostas sem uma reflexão estudada.
Na liderança vejo como essencial sempre cultivar relacionamentos saudáveis, reconhecendo a importância da conexão humana. Por outro lado, sei que precisamos estar fortes para solucionar o que adoece. É o não se envolver demais e nem levar para o lado pessoal.
Nesse interim relembro que vivemos em sociedade e precisamos nutrir laços significativos, promovendo o nosso próprio bem-estar emocional e dando a contribuição para um ambiente social positivo.
Acredito que tornar-se um líder de si mesmo é uma jornada enriquecedora, permeada pelos ensinamentos da Psicanálise.
Ao explorar as profundezas da mente, desenvolver o autoconhecimento, gerenciar emoções, ser autêntico, assumir responsabilidade e cultivar relacionamentos, podemos criar um fundamento sólido para liderar uma vida plena e significativa.
Ao liderar a si mesmo de maneira exemplar, tornamo-nos agentes de mudança positiva não apenas em nossa própria vida, mas também na vida daqueles ao nosso redor.
E como está a sua liderança?
Dra.: Josânia Pretto