Conheça os direitos do trabalhador com Burnout

Para muitos especialistas a Síndrome de Burnout faz parte da lista de doenças do século XXI. Mas, você sabia que em 1974, pesquisadores já haviam detectado esse problema?

a conclusão de que esse ‘apagão’ – essa é a tradução para burnout – recebeu oficialmente esse nome?

E tudo começou com o psicólogo Herbert J. Freudenberger. Ele mesmo vítima de mudanças de humor, atitude, motivação e personalidade, culminando em um estado de exaustão física e mental causado pela vida profissional. Era o ‘apagão’ – essa é a tradução para burnout.

Olhando para os dias atuais, quantas pessoas não ouvimos reclamando que estão cansadas, sem tempo, não aguentam mais.

A Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, é um estado de exaustão física e emocional causado pelo estresse crônico no trabalho.

Com a crescente pressão e a carga de trabalho elevada, além de atividades pessoais, muitos profissionais enfrentam esse desafio.

Por isso é tão importante conhecer mais sobre essa síndrome, seu diagnóstico e os direitos trabalhistas.

Caso de alerta

Em agosto de 2018, a ex-apresentadora da Rede Globo, Izabella Camargo sofreu um ‘apagão’, ao vivo em um dos telejornais da emissora. Em diversas entrevistas e palestras, a jornalista relata sua dor e sofrimento ao ser diagnosticada com a síndrome.

Afastada da emissora para tratamento, ela foi desligada logo após voltar ao trabalho. Precisou recorrer a Justiça para ser reintegrada, mas já não havia mais ‘clima’ e foi feito um acordo para seu desligamento. Entretanto, não parou aí.

Em entrevista, Izabella responsabilizou a emissora pelo seu estado de saúde. A Globo entrou com uma ação, perdeu e indenizou sua ex-funcionária.

Toda essa história é pra dizer que há direitos para homens e mulheres vítimas desse esgotamento.

Aliás, vale relatar que o Burnout foi incluído na classificação internacional de doenças pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2019. E desde 1999 é uma doença laboral no Brasil.

 

Sinais

Os sinais de Burnout podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns dos mais comuns incluem:

–  Mesmo após pausas e noites de sono, observar um cansaço constante.

– Perda de interesse pelas atividades que antes eram prazerosas.

– Dificuldade em focar nas tarefas diárias e cometendo erros. E o sentimento de estar sempre atarefado demais e sem conseguir fazer as atividades.

– Oscilações de humor e crescimento da frustração em situações cotidianas.

– Sensação de distanciamento, como se não pertencesse ao local de trabalho e no relacionamento com os colegas.

 

Diagnóstico, comunicação e direitos

Se você suspeita que está sofrendo de Burnout, o primeiro passo é buscar ajuda profissional médica. Um psicólogo ou psiquiatra pode realizar uma avaliação adequada e oferecer o diagnóstico necessário. É fundamental ser honesto sobre seus sintomas e como eles afetam seu desempenho no trabalho.

Após o diagnóstico, é importante comunicar à empresa sobre a sua situação. Isso deve ser feito por meio de um relatório médico que descreva sua condição e as recomendações para tratamento.

Abordar o tema de maneira clara e assertiva ajuda a garantir que a empresa compreenda a gravidade do problema e esteja disposta a oferecer apoio.

É crucial conhecer seus direitos em situações de burnout. Aqui estão algumas orientações:

  1. Apoio do RH: Informe o departamento de Recursos Humanos sobre sua condição e busque orientação sobre como a empresa pode ajudar, como ajustes na carga de trabalho ou licenças médicas.
  1. Documentação: Mantenha um registro detalhado de sua condição, incluindo diagnósticos médicos, prescrições e comunicações com a empresa. Isso será útil caso você precise reivindicar seus direitos.
  1. Licença Médica: Se o médico recomendar uma licença, você tem o direito de solicitar esse período para tratamento. O atestado médico deve ser entregue à empresa dentro dos prazos estabelecidos.
  1. Demitido durante o tratamento: Se você for demitido enquanto está em tratamento para Burnout, tem direito a receber todos os benefícios trabalhistas, incluindo indenizações.
  1. Visão do INSS: O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) considera o burnout como uma condição que pode justificar a concessão de benefícios por incapacidade. Se você estiver afastado do trabalho devido ao Burnout, pode solicitar a perícia médica para verificar a possibilidade de receber o auxílio-doença.
  1. Recolhimento do FGTS: No período de afastamento para tratar da síndrome, a empresa é obrigada a fazer o recolhimento do FGTS do empregado.
  1. Indenização: Se comprovado que o trabalhador teve Burnout por irregularidades e abusos no ambiente de trabalho poderá reivindicar indenização, que podem ser por danos morais, existenciais, materiais e estéticos. O objetivo dessa indenização é cobrir prejuízos financeiros, no bem-estar, emocionais e até físicos.
Orientação jurídica

Cabe ao advogado especialista em Direito do Trabalho, garantir os seus direitos ao ser diagnosticado com a Síndrome de Burnout e assim assegurar que sua saúde mental e física sejam prioridade.

Se você está enfrentando essa situação, não hesite em procurar ajuda e suporte legal.

 

Dra. Josânia Pretto

Conheça os direitos do trabalhador com Burnout
Usamos cookies para melhorar sua experiência em nosso site. Ao navegar, você concorda com nossa Política de Privacidade.
Saiba mais