Se o casamento chegou ao fim, divorcie-se legalmente. A omissão abre espaço para confusões que custam caro emocional e financeiramente.
Muita gente acredita que, ao romper a convivência, basta “seguir a vida” e pronto. Só que casamento não é só afeto. Nesse artigo, eu te mostro que um contrato civil gera direitos e obrigações até ser oficialmente dissolvido.
9 pontos essenciais do divórcio
Recebo muitos clientes e consultas de homens e mulheres sobre o fim do relacionamento e que apesar disso insistem em manter oficialmente a relação que já acabou, seja por comodismo ou questões financeiras.
Aparentemente pode ser algo sem maiores problemas, mas não é bem assim. Seja o casamento ou união estável, todos tem direitos e os problemas podem surgir no caso de morte, dívidas, negócios.
A seguir explico em detalhes esses pormenores negligenciados por muitos, mas com custo mais caro até para os herdeiros.
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“Casados no papel” = responsabilidade ilimitada
Enquanto a certidão de divórcio não é expedida, o casal permanece legalmente unido. Isso significa:
1.1 Dívidas e crédito
Cartões, empréstimos e financiamentos contraídos por um cônjuge podem atingir o outro, dependendo do regime de bens e do momento da dívida. Imagine descobrir, anos depois, que seu ex fez um empréstimo em seu CPF porque vocês ainda constam como casados.
1.2 Sucessão e herança
Se um dos parceiros falecer sem divórcio, o outro herda automaticamente a quota prevista em lei — mesmo que ambos vivam com novos companheiros. O patrimônio dos novos relacionamentos pode ficar embaraçado por causa de herdeiros inesperados.
1.3 Benefícios previdenciários
Viúvos(as) ainda constam no INSS, podendo requerer pensão por morte. A discussão judicial se arrasta quando há companheiro(a) atual, causando desgaste para todos.
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Impacto das novas relações
É comum iniciar outro relacionamento antes de formalizar o fim do anterior. Só que:
- União estável: o cartório exige declaração de estado civil. Se você ainda é “casado(a)”, não registra.
- Casamento civil: sem divórcio prévio, incorre-se em bigamia (crime — art. 235 do Código Penal).
- Planejamento familiar: guarda de filhos, definição de pensão ou registro de novo bebê ficam juridicamente confusos quando os pais não estão divorciados de uniões anteriores.
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Tipos de divórcio: escolha o caminho certo
| Modalidade | Onde ocorre | Requisitos | Prazo médio* | Vantagens | Desvantagens |
| Extrajudicial | Cartório | Consenso + sem filhos menores/incapazes + advogado | 5 a 15 dias | Rápido, menos custoso | Não serve para litígios ou filhos menores |
| Judicial consensual | Vara de Família | Consenso, filhos menores ou incapazes | 30 a 90 dias | Juiz homologa guarda/pensão | Depende de agenda do fórum |
| Judicial litigioso | Vara de Família | Conflito sobre bens/filhos | 1 a 3 anos | Resolve impasses via sentença | Mais caro e demorado |
*Estimativas médias; variam conforme comarca.
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Passo a passo para um divórcio extrajudicial
- Documentação
- Certidão de casamento (atualizada)
- RG e CPF dos cônjuges
- Escritura pré-nupcial (se houver)
- Relação de bens e certidões dos imóveis
- Petição do(a) advogado(a) com termos do acordo
- Escolha do cartório
Qualquer Tabelionato de Notas no Estado de domicílio de uma das partes. - Minuta de escritura
O advogado redige cláusulas sobre partilha, nome de solteiro(a) ou mantido, eventual pensão entre cônjuges. - Sinal verde do tabelião
Conferência de documentos, leitura e assinatura.
Taxas: escritura + registro no Cartório de Registro Civil. - Averbação
Com a escritura em mãos, o cartório onde foi realizado o casamento averba o divórcio; em seguida, registre nos documentos pessoais.
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Divórcio com filhos menores: questões sensíveis
Mesmo quando há consenso, a Vara de Família precisa analisar:
- Plano parental: guarda compartilhada ou unilateral, horários, férias, feriados.
- Pensão alimentícia: percentual ou valor fixo, forma de reajuste.
- Decisões escolares e médicas: cláusulas de responsabilidade conjunta.
Para conhecer detalhes de guarda, veja o artigo Guarda compartilhada: o padrão para equilíbrio familiar.
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Perguntas frequentes
6.1 Posso pedir divórcio mesmo se o outro não concordar?
Sim. Desde a Emenda Constitucional 66/2010, não há necessidade de culpa ou lapso temporal. Basta a vontade unilateral.
6.2 Preciso esperar dois anos de separação antes do divórcio?
Não. A antiga “separação judicial” caiu. Hoje, parte-se direto ao divórcio.
6.3 Quanto custa?
- Extrajudicial: taxas cartorárias (em média R$ 600 a R$ 1 500, em 2025) + honorários.
- Judicial: custas conforme tabela do Tribunal + honorários (podem ser fixos ou percentual sobre bens).
6.4 Ainda posso usar o plano de saúde do ex-cônjuge?
Alguns planos empresariais permitem dependentes por tempo limitado após divórcio, desde que haja pagamento integral. Consulte o contrato.
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Consequências de não finalizar o divórcio
- Imóveis: necessidade de assinatura do cônjuge para vender ou hipotecar.
- Aposentadoria: cônjuge é herdeiro necessário de previdência privada.
- IRPF: risco de malha fina ao declarar como “separado judicialmente” sem prova.
- Falecimento: sucessão confusa, litígios entre herdeiros e companheiros(as).
- Alimentos: pedidos de pensão entre ex-cônjuges ainda “casados” podem surgir.
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Caminho humanizado: diálogo + planejamento jurídico
Divórcio não precisa ser sinônimo de batalha judicial. A escuta ativa e a mediação — práticas que a Dra. Josânia adota em seu escritório — reduzem desgaste emocional e financeiro.
- Mediação prévia: conversa orientada por profissional especializado.
- Acordos flexíveis: cláusulas personalizadas para necessidades de cada família.
- Foco nos filhos: prioridade absoluta para garantir estabilidade emocional.
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Checklist para encerrar seu casamento com segurança
- Converse com um(a) advogado(a) de confiança
- Reúna documentos pessoais e dos bens
- Defina, em conjunto ou via mediação, divisão de patrimônio
- Estruture o plano parental (se houver filhos)
- Escolha modalidade adequada de divórcio
- Averbe a certidão e atualize seu estado civil em todos os órgãos
O amor pode acabar, mas as obrigações legais só terminam com a certidão de divórcio averbada. Adiar esse passo significa viver em um limbo jurídico que pode:
- Bloquear novos projetos de vida
- Prejudicar a criação dos filhos
- Gerar dívidas e litígios inesperados
Ao oficializar o término, você protege seu patrimônio, garante segurança jurídica aos filhos e abre espaço para recomeçar de forma saudável e em paz.
Dra. Josânia Pretto




