
Tradwife é um movimento que exige atenção das mulheres que abdicam da vida profissional
Quem não se lembra da mãe ou da avó que podia se dedicar totalmente aos cuidados da casa e dos filhos? Sabemos que as mudanças nas estruturas familiares e a força da mulher no mercado de trabalho mudou esse cenário.
Por outro lado, vem ganhando força nos últimos anos, o movimento que está presente nas mídias sociais e é intitulado de “Tradwife”, que em bom português, se traduz como esposa tradicional.
O movimento é formado por mulheres que optaram em se dedicar exclusivamente ao lar e à família, abandonando suas carreiras profissionais – ou não totalmente, pois muitas recebem para fazer conteúdos de marca em seus canais.
Apesar da aparente romantização dessa escolha, é crucial analisar os perigos e implicações dessa decisão sob uma perspectiva jurídica e prática.
Importante antes de você seguir a leitura. Não estou aqui julgando a escolha dessas mulheres, mas reforço a visão sob a ótica das garantias da lei, em caso de fim de relacionamento e outras situações.
Impactos no futuro profissional
Em uma das redes sociais, vi o relato de uma jovem casada há pouco e com um bebê recém-nascido contar que largou a profissão antes do casamento em comum acordo com o futuro marido. Mas será que isso está documentado? Falarei mais a frente.
Com a decisão tomada é preciso lembrar que o retorno ao mercado de trabalho poderá ser um desafio significativo. Não vou tanto de tecnologias, mas de trabalhar com muitos profissionais e conquistar oportunidades e progressão na carreira.
Outro ponto importante aqui trata-se da rede de networking. Manter uma rede de contatos é essencial para o desenvolvimento profissional. Afastar-se do mercado pode resultar na perda dessas conexões, tornando a reintegração ainda mais complexa. A falta de networking pode dificultar a obtenção de recomendações e a identificação de novas oportunidades.
Reforço que muitas delas tem uma rede de contatos, especialmente, quando fazem questão de divulgar o seu dia a dia, os chamados vlogs em diversos meios – Youtube, Instagram, Tik Tok e outros. Portanto, esse não seria um problema, aparentemente.
Implicações pessoais e legais
Ao abdicar de uma carreira, a mulher pode se tornar financeiramente dependente do cônjuge, o que pode ser particularmente problemático em situações de divórcio ou separação. Essa dependência pode afetar negativamente a negociação de pensões e a divisão de bens, além de gerar insegurança financeira.
Ainda sobre esse aspecto, devemos lembrar das questões referentes ao Direito Previdenciário. Mesmo dedicando-se ao lar, as mulheres têm direitos previdenciários garantidos por lei.
No Brasil, donas de casa podem se inscrever como seguradas facultativas no INSS, garantindo acesso à aposentadoria e outros benefícios. É fundamental que estejam cientes dessa possibilidade e tomem as medidas necessárias para assegurar esses direitos.
Destaco ainda que o trabalho doméstico e a dedicação à família devem ser reconhecidos legalmente, especialmente em casos de divórcio. A contribuição da mulher como dona de casa deve ser levada em consideração na partilha de bens e na determinação de pensão alimentícia. Esse reconhecimento é essencial para garantir a segurança financeira e jurídica no processo de separação.
Proteção Jurídica
Para mitigar os riscos associados à abdicação da carreira profissional, é fundamental que as mulheres adotem um planejamento jurídico. Algumas medidas importantes incluem:
- Acordos Pré-nupciais
Estabelecer esses acordos pode garantir a proteção dos direitos da mulher em caso de divórcio, incluindo partilha de bens e a pensão alimentícia, proporcionando maior segurança jurídica.
- Contribuição ao INSS
Inscrever-se como segurada facultativa no INSS é uma medida importante para assegurar o direito à aposentadoria e outros benefícios previdenciários. O mesmo vale para uma previdência privada.
- Educação e capacitação contínua
Mesmo dedicando-se ao lar, é importante que a mulher busque educação e capacitação contínua. Participar de cursos online, workshops e eventos da área de interesse pode ajudar a manter-se atualizada e preparada para um eventual retorno ao mercado de trabalho.
- Consulta a um advogado de família:
Buscar orientação de um advogado especializado em Direito de Família ajudará na compreensão dos direitos e responsabilidades envolvidos nessa escolha. Um profissional pode auxiliar no planejamento jurídico e na preparação de documentos necessários para garantir a proteção legal.
A decisão de se dedicar exclusivamente ao lar deve ser tomada com cautela e plena consciência dos impactos pessoais e profissionais. É essencial que as mulheres estejam informadas sobre seus direitos e tomem medidas para se proteger juridicamente.
Planejar o futuro com cuidado pode evitar vulnerabilidades financeiras e assegurar que essa escolha não resulte em prejuízos no longo prazo. Como advogada, oriento às mulheres a manterem-se informada sobre os direitos legais e assim ter a certeza das garantias para uma vida equilibrada e segura.
Comente aqui, o que você acha disso. Abdicaria de sua profissão para cuidar do lar?
Dra.: Josânia Pretto